Dez anos depois de entrar no rodeio brasileiro, o assessor e diretor de arena de São João del Rei coleciona conquistas, gratidão e uma história escrita com trabalho, resiliência e amor ao esporte.
Entre os profissionais de cada rodeio, cada um carrega consigo a sua história — e na EXPO Sete, em Sete Lagoas (MG), que está de volta ao cenário depois de sete anos, não é diferente. Temos a história de quem às vezes não começou nos holofotes da arena. E há histórias que são construídas no chão batido, na poeira, no trabalho silencioso de quem entende que o rodeio é feito de muito mais do que os oito segundos de fama. A trajetória de João Vitor Russo — o “Russo” — é uma delas. Natural de São João del Rei, Minas Gerais, ele completa em 2026 exatos dez anos de estrada, uma década dedicada ao universo das montarias que começou com um sonho de competidor e se transformou em uma das carreiras mais respeitadas da assessoria e direção de arena.
Era 2016 quando o jovem Russo entrou no rodeio brasileiro com um objetivo claro: ser competidor de touros. A montaria, porém, não confirmou o destino que ele imaginava. Longe de desistir, o mineiro encontrou no próprio esporte uma nova vocação — a assessoria de arena. Começou pelo regional, sem cachê, movido única e exclusivamente pelo amor à modalidade.
“Comecei a assessorar regional, trabalhava só perto de casa, não tinha nem cachê direito. Era pelo amor ao esporte mesmo, eu queria estar no meio”, recorda.
O início, como ele mesmo faz questão de pontuar, não foi nada fácil. As portas não se abriram sozinhas, e o caminho foi marcado por humilhações e decepções vindas, muitas vezes, de pessoas muito próximas. “O início não é fácil. Fui muito pisado, muito humilhado. Mas sou muito grato às pessoas que abriram as portas para mim”, resume.
A pandemia de 2020 mudou os rumos da sua trajetória — e não apenas no rodeio. Russo cumpriu o serviço militar obrigatório no Exército Brasileiro, como escalador militar, no 11º Batalhão de Infantaria de Montanha do Regimento Tiradentes, em São João del Rei. A experiência, somada à pausa forçada dos eventos, funcionou como um divisor de águas.
Ao voltar, a decisão estava tomada: o rodeio seria profissão, e não passatempo. Sem plano B. “Eu falei: vou encarar, levar mais a sério isso. Eu quero isso como minha profissão”, contou.
O comprometimento total abriu caminho para uma sequência de trabalhos em importantes empresas e eventos. Passou pela ACR e pela PBR ACF Tour como assessor de arena, marcou presença em grandes festas como a Festa do Feijão, em Lagoa Formosa (MG), e em Palestina (SP), além de um período pela Ekip Rozeta.
Em toda trajetória de sucesso existem aqueles que enxergam o potencial antes de todos. Com Russo, não foi diferente. O locutor Caio Barcelos foi um dos grandes incentivadores, contratando-o para um dos rodeios de maior visibilidade da região: Lagoa Dourada (MG). Foi ali, segundo ele, que sua carreira ganhou o destaque que precisava.
“Aquele rodeio foi um dos que mais me destacou dentro do rodeio”, afirma.
Trabalhando de forma incansável e levando o esporte com seriedade máxima, a dedicação de Russo começou a ser reconhecida em proporções estaduais.
O ano de 2025 ficou marcado na história pessoal do mineiro. Pela Federação Mineira de Rodeio (FRMG), Russo foi eleito o melhor assessor do estado de Minas Gerais, conquistando a cobiçada fivela que coroa o trabalho de um profissional que entende a arena por dentro — da técnica da montaria à logística do espetáculo.
O reconhecimento veio acompanhado de uma nova responsabilidade. Juscelino Amaral, da TJ Rodeios, um dos grandes nomes que apostaram em seu potencial, o promoveu a diretor — cargo que exerce com a mesma seriedade de sempre.
Hoje, Russo presta serviços de direção e assessoria para mais de cinco empresas da sua região, atuando em quatro estados: Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo. No currículo, trabalhos ao lado de nomes expressivos como Henrique Soares e Almir Cambra, na assessoria de pista e de arena.
“Hoje completo dez anos dentro do rodeio como assessoria e direção de arena. Sempre com respeito, seriedade e profissionalismo, da melhor maneira que eu posso estar entregando”, destaca.
Profissional realizado, Russo faz questão de dividir o mérito da trajetória. Entre os que confiaram em seu potencial, ele cita Juscelino Amaral, Paulo Miranda, Juninho Brasília, Caio Barcelos, Diogo Bueno e Everton Argel — nomes que abriram portas e acreditaram no seu trabalho ainda nos primeiros passos.
E há quem esteja ao lado dele fora das arenas. Sua mãe, Ana Maria Esmeraldino, é citada com emoção como o maior amparo nos dias difíceis: “Nos dias em que eu mais fui pisado e humilhado dentro do rodeio, que eu voltava para casa triste, chateado, ela foi o meu maior amparo.”
A ligação com a tradição do rodeio mineiro também é marca registrada: Russo é da mesma terra da multicampeã de três tambores Giovana Lasmar, outro orgulho de São João del Rei (MG).
A consagração de Russo também carrega uma mensagem importante para o mercado. Em um esporte que valoriza cada vez mais a profissionalização, as figuras do assessor de arena e do diretor deixaram de ser coadjuvantes para se tornarem peças estratégicas do espetáculo — responsáveis pela fluidez do evento, pela segurança das montarias e pela experiência do público. O reconhecimento da FRMG e a confiança de mais de cinco empresas simultâneas provam que o trabalho sério, no rodeio, tem nome, sobrenome e fivela.
Dez anos depois daquele 2016, Russo não precisou mais se provar para ninguém. O garoto que sonhava em montar encontrou, no chão da arena, o seu lugar — e construiu nele uma carreira sólida, respeitada e cheia de gratidão. Porque no rodeio, como na vida, há quem monte os touros e há quem carregue o espetáculo nas costas. E é na segunda categoria que João Vitor Russo escreve, com suor e dignidade, a sua história.