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Do pedal à fivela: a incrível volta por cima de Júlio Macário em Itaporã

A 1ª EXPOITA 2025  – Feira Agropecuária de Itapora MS , foi realizada pelo Sindicato Rural de Itaporã – MS, na pessoa do presidente José Assis de Lara, com parceria da Prefeitura Municipal de Itaporã , prefeito Tiago Carbonaro.

A organização do evento foi feita pela empresa OPA! Organizações de eventos LTDA.

A Feira contou com a parte de Exposição comercial envolvendo empresas de maquinários agrícolas, implementos, instituições financeiras, empresas de veículos, e outras que agregaram valor comercial e visual ao evento.

Na parte esportiva, a produção foi da Copa MD Super Bulls, Milton Domingues produziu um espetáculo qualificado, levando profissionais que somaram no desenvolver do evento, incluindo competidores de renome.

Por trás de cada título, de campeão existe uma ser humano, e uma história que as vezes não é revelada ao o campeão pegar a fivela no pódio.

O campeão deste evento foi Júlio Cesar Macário, de Fátima do Sul/MS e, sua história é cheia de idas e vindas e muita persistência.

 

“Comecei no rodeio com dificuldades, sempre correndo atrás de oportunidades. Eu moro em Fátima do Sul, e desde moleque sempre gostei de estar no meio dos peões”

“Insisti para meu pai comprar um cavalo pra mim. Eu criava um cavalo no fundo de casa, rapaz. E foi através desse cavalo que fui pegando gosto”

“Perto de casa tinha uma areninha, a do Edivaldo Braga. Até hoje tem. Foi ali que tudo começou. Eu não tinha carro, não tinha dinheiro, não tinha nada. Ia de bicicleta — e não era perto não. Dava 18 km para chegar lá. Pegava minha bicicleta e ia. Chegava lá com a espora no pé, sem bolsa, sem nada” Lembra “Um amigo meu, o José Vitorino, tinha uma corda velha num tambor. Ele me deu aquela corda com a condição de eu ajudar a cuidar de uma égua que ele tinha lá. Eu cortava capim, cuidava da égua, tudo para poder usar a corda. Uma luva velha que era para a direita eu virava pra esquerda e ia treinar”

“Foi ali que montei pela primeira vez. O Edivaldo me deu a maior força. Mas eu sempre tive um problema: nunca tive a mente focada. Começava a montar, ficava um tempo e parava. Fiquei um, dois, três anos parado. Aí voltava, montava um pouco e parava de novo”

“Depois de um tempo, fizeram uma arena em Fátima. O Henrique Lemos montou a estrutura e eu fui lá treinar. Num desses treinos, tomei um pisão nas costas. Fiquei sem ar, no chão, tentando puxar e o ar não vinha. Ouvi alguém falar “tira esse beirolo daí pra soltar mais boi”. Me pegaram pelo colete e me largaram lá fora. Aquilo me marcou demais. Eu fechava o olho e via o cara rindo de mim, até pensei que isso não era para mim”

Passando essa situação, arrumou um lugar para treinar e viu que o rodeio era sim para ele e continuou seu propósito: Ser um peão de rodeio.

Porém, antes de firmar, nas montarias, mais um episódio:

“Fui mexer com skate e fiquei mais uns anos parado. Fui mexer com manobra de bicicleta,  mas, voltei para o rodeio de novo” Lembra “Quando retornei fui em Angélica. No primeiro dia fiz a maior nota da noite. No segundo dia, maior nota de novo. No terceiro dia, maior nota mais uma vez. Na final, maior nota. Fui campeão. Aí falei:
“Nasci para trem mesmo, rodeio”

“Um amigo de Umuarama, foi um dos primeiros a acreditar em mim e me colocou em rodeios da ACR.  Logo depois, num rodeio aberto da Liga Nacional, machuquei o púbis. O Romildo Monteiro aconselhou eu parar, mas segui montando o resto do ano e metade do ano seguinte todo machucado, tomando injeção pra conseguir levantar da cama e continuar montando”

“Mesmo assim, não desisti. O Negão Terra Boa me deu chance no campeonato B&B. Nas três primeiras etapas, lesionado, não consegui pontuar. Quando a lesão começou a melhorar, pedi mais oportunidades e voltei bem: consegui um quinto lugar em uma das etapas e reencontrei minha confiança”

“Sempre tive medo de treinar e me machucar, então me preparo do meu jeito. Antes de Itaporã, comecei a treinar com o Milton Domingues e pedi várias oportunidades a ele. Um amigo, o Maicon Carvalho, ajudou a conseguir vaga no evento. De última hora, o convite saiu”

“Em Itaporã, fiz a maior nota do primeiro dia. No segundo, caí, mas segui na vice-liderança. Na semifinal, parei no Tiringa (Davi Resende) e assumi a liderança. Na final, parei no Strike (Davi Resende) e me tornei campeão”

“Vitórias como essa nos deixa capacitados e confiante para continuar a realizando nosso sonho” Finaliza o competidor

Classificação Final

1 – Júlio Cesar Macário de Souza, Fátima do Sul/MS – 262,25

2 – José Alberto de Castro Brasil, São Jorge do Patrocínio/PR – 260,50

3 – Júlio Cesar Rodrigues, Novo Horizonte do Sul/MS – 174,25

4 – Leonardo Roldão dos Santos, Júlio Mesquita/SP – 173,50

5 – Leonardo Miranda dos Santos, Sonora/MS – 172,00

“Baladeiro” da Cia Davi Resende foi o melhor touro do evento.