Tudo é uma questão de escolha, e essa escolha pode lhe custar caro. Jess Lockwood, bicampeão mundial, relata o que viveu com o vício.
Vou resumir Jess em uma frase: se José Vitor Leme não é o recordista em títulos mundiais, Jess foi um dos grandes responsáveis por isso — especialmente em 2019.
A queda de rendimento de Jess, as contusões e seu desaparecimento do cenário sempre foram fatos pouco explicados.
Em entrevista a Cooper Davis, Jess revelou que soube, sim, lidar com a pressão de ser bicampeão mundial aos 22 anos. Segundo ele, Cody Lambert e amigos o prepararam para isso.
No entanto, o fim de um casamento, uma sequência insana de lesões e frustrações o levaram ao vício em um medicamento de uso controlado chamado Adderall.
O vício, as lesões e relacionamentos fracassados o conduziram ao fundo do poço.
“Cheguei a pensar que não precisava mais da montaria em touros.”
A grande virada aconteceu quando foi viajar com sua tia, competidora dos três tambores e tricampeã da NFR: Lisa Lockhart.
“Quando viajei com ela, senti novamente aquela emoção da competição. As longas viagens e as longas conversas foram decisivas. Foi ali que percebi que precisava parar.”
O primeiro passo foi voltar a treinar na academia — algo que ele não fazia havia dois anos.
“Quando o Carolina Cowboys me contratou. Todos os times sabiam do meu vício, mas o Carolina acreditou em mim”, disse Jess.
“Ser campeão mundial por equipes foi mais especial do que meus dois títulos mundiais. Além da fivela, eu estava vencendo meus vícios e provando do que era capaz. A alegria de montar e vencer touros voltou.”
Não é preciso dizer que o título mundial por equipes foi extremamente comemorado por Jess.
Não podemos deixar de observar que o vício talvez tenha lhe tirado a chance de se tornar o primeiro tricampeão mundial da PBR. Não que esse sonho tenha morrido, mas ele perdeu uma parte importante da carreira no auge da idade — algo que talvez não consiga recuperar totalmente.
Mesmo assim, Jess ainda pode, quer e está preparado para buscar mais um título. E sua trajetória não deixa de ser uma bela história de superação.
Fica a reflexão:
vale a pena se render a um vício sendo um atleta de montaria em touros?