Natural de Cunha, no interior de São Paulo, Felipe Rangel Pereira, conquistou um importante feito em sua carreira: o título da etapa da PBR ACF Tour em Ijaci/MG, realizada no início de julho. Mas para chegar até esse momento de glória, ele trilhou um caminho feito de fé, coragem e persistência.
Com 24 anos, Felipe carrega no peito o orgulho de ter começado sua trajetória no rodeio onde nasceu e cresceu, no bairro do ‘Cegueira’. “Sempre gostei de rodeio. Desde pequeno, participava das aberturas carregando a Nossa Senhora ou São Sebastião. O gosto já vinha de criança, gostava de ver os competidores montando ali no bairro, na Cia de Rodeio Asa Delta” relembra.
Na infância, ia a pé para os eventos, movido pelo entusiasmo. Ainda menor de idade, não tinha a autorização da mãe para montar, então, fazia isso escondido, em meio às garrotadas. Aos 18 anos, deu início à carreira profissional — e, com ela, veio também o apoio familiar. “Minha mãe viu que não dava mais pra segurar e passou a me apoiar. Hoje, está sempre ao meu lado, assim como meu pai e toda minha família.”
Um dos grandes incentivadores foi o primo e um amigo, que sempre esteve por perto ajudando com equipamentos, roupas e, principalmente, com palavras de motivação. “Ele sempre me incentivou a montar. Se hoje estou aqui, é porque muita gente me ajudou no caminho.”
Felipe fez sua estreia na PBR ACF Tour e já veio coroada com vitória. “Sempre vi a PBR pela televisão. Estar lá e ainda sair campeão no meio de tantos peões bons é uma vitória imensa. É a realização de um sonho.”
As lembranças da infância reforçam o quanto o sonho estava enraizado. “Eu dormia sonhando com esse momento. Subia escondido no barracão com minha esporinha e cordinha. Quando me viam lá, já mandavam eu descer. Mas eu dizia: ‘Se você deixar, eu denuncio voce.”
A trajetória é marcada por histórias que só quem vive o rodeio entende. Certa vez, ele foi para um Bolão em Santa Isabel, que virou capítulo à parte. “Fui com um companheiro de moto. A polícia parou a gente, choveu, dormimos em uma lona. Foi na raça” Mesmo em meio às dificuldades, ele não perdeu o foco. “Quando a gente conquista um rodeio, é porque a gente merece. Só nós sabemos o que passamos pra chegar até aqui.”
A fé também sempre esteve presente. Felipe é devoto de Nossa Senhora Aparecida e dedica cada conquista a Deus e ao irmão, falecido quando ele tinha apenas quatro anos. “Sinto que ele está comigo, me protegendo, me dando força nas mãos e coragem no coração.”
Em suas palavras, “A Forte é a força que me move”. Muito mais que um nome, é um símbolo de tudo o que o impulsiona: os desafios superados, os valores da família e a paixão pelo rodeio. “É ela que me dá coragem pra lutar, subir nos bois e trazer vitória pra casa. É onde encontro apoio, inspiração e garra pra continuar.”
E no fim das contas, Felipe resume tudo com simplicidade e verdade:
“Família é o bem mais importante que a gente tem.”