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30 ANOS DE ARENA: Johny Barreto, o locutor barretense que divide a vida entre arena e júri

No universo do rodeio brasileiro, poucas trajetórias são tão fascinantes como a de Johny Barreto. Em 2026, este barretense legítimo celebra uma marca que poucos conseguem alcançar: 30 anos de uma sólida carreira na locução de rodeios e, simultaneamente, 20 anos de atuação como advogado, especializado no Tribunal do Júri.

Transitar entre o clamor de uma arena lotada com mais de 30 mil pessoas e o silêncio solene de um tribunal de justiça exige mais do que talento; exige paixão, técnica e um profundo respeito pelo ser humano. Esta é a crônica de um homem que transformou a arte de falar em um instrumento de emoção e justiça.

Nascido em 1974, Johny Barreto cresceu respirando a poeira e a cultura sertaneja de Barretos. Filho de Seu João e Dona Lídia, ele era levado pelos pais ainda pequeno ao antigo Recinto Paulo de Lima Corrêa para acompanhar as montarias. Mas foi em 1985, ano em que a Festa do Peão migrou para o atual Parque do Peão, que a chama se acendeu definitivamente. Da arquibancada montada, o menino de 11 anos viu a lenda Jair Honório, peão de cutiano, vencer o rodeio e se encantou com a grandiosidade daquele esporte.

Durante a adolescência, Johny Barreto não queria apenas assistir; ele queria narrar. Pelas ruas de Barretos, imitava os trejeitos e a imponência vocal de ícones como Donizete Alves e Barra Manso. Aos 15 anos, colocou na cabeça que seria locutor, embora o caminho parecesse distante para um jovem que, anos mais tarde, trabalharia no Banco Mercantil.

O destino começou a mudar em 1995, um ano verdadeiramente divisor de águas:

Através de um gerente do banco, Johny Barreto teve a oportunidade de segurar o microfone pela primeira vez para narrar provas de laço. O radialista Paulo Gandiero organizou um rodeio na rotatória do bairro Barreiros II. Foi ali que Johny Barreto narrou montarias pela primeira vez na vida. Dias depois, narrou o tradicional Rodeio Universitário Pancho Vila, no histórico Recinto Paulo de Lima Corrêa. Johny ainda guarda na memória a montaria marcante do competidor Rodrigues Couto Lima.

No mesmo ano de 1995, veio a oportunidade de ouro: estrear no Qualify da Festa do Peão de Barretos, dividindo os bastidores com nomes que faziam história, como o estreante profissional Almir Cambra e Adriano do Vale no Internacional.

Em 1996, Johny retornou a Barretos para narrar o Rodeio Mirim e conquistou seu primeiro cachê oficial no Monjolinho. Em 1997, dividia-se entre o trabalho no Registro de Imóveis de Barretos e as festas de peão que começavam a surgir.

Mas a paixão pelas arenas exigia dedicação integral. Em 1998, após narrar festas importantes, tomou a decisão mais audaciosa de sua vida: pediu demissão do cartório, trancou a faculdade de Direito (onde já havia concluído dois anos).

No ano de 2000, o reconhecimento nacional ganhou as telas de TV quando, por intermédio de Kaká, Johny Barreto gravou um comercial para a Telefônica. O grande ápice, contudo, estava reservado para 2001.

Sob a presidência de Sérgio e a direção de rodeio de Marcão Abud, Johny Barreto estreou no Rodeio Internacional de Barretos, o palco mais cobiçado do planeta. Ele havia chegado ao topo da locução.

Mas Johny Barreto sabia que a mente precisava estar tão afiada quanto a voz. Em vez de simplesmente destrancar a faculdade e retomar o terceiro ano de Direito, ele tomou outra decisão humilde e corajosa: recomeçou o curso do zero na FEB (Fundação Educacional de Barretos), estudando no período da manhã para garantir que absorveria todo o conhecimento necessário, mesmo que isso significasse reduzir temporariamente o ritmo das viagens.

Em 2003, as portas do estado de Minas Gerais se abriram definitivamente. Apresentado ao empresário Marcinho, Johny estreou na companhia Fivela de Prata no rodeio de Canápolis/MG.

A sintonia foi imediata. De 2003 a 2015, Johny consolidou-se como o principal locutor do Circuito Fivela de Prata. A rotina era uma verdadeira prova de resistência:

Em 2004, narrou impressionantes 23 rodeios apenas no Triângulo Mineiro. Ele assistia às aulas de Direito na FEB de manhã, saía na quinta-feira logo após o almoço rumo a Minas Gerais (dormindo ou estudando no banco do passageiro enquanto alguém dirigia os mais de 350 km de distância), narrava o rodeio no fim de semana e, na segunda-feira de manhã, já estava de volta à sala de aula.

Johny Barreto formou-se em 2005 e, em abril de 2006, obteve sua inscrição na OAB de primeira. Muitos pensavam que a advocacia calaria o locutor, mas a paixão pelas arenas falou mais alto. Ele provou que era possível exercer ambas as atividades com excelência máxima.

Na advocacia, especializou-se no Tribunal do Júri sob a mentoria do renomado Dr. Otávio Alves Garcia.

Hoje, com 20 anos de advocacia, Johny Barreto já soma quase uma centena de júris realizados. Ele não trata nenhuma das duas carreiras como hobby: são duas profissões levadas com extremo rigor técnico, ética e seriedade. Atualmente, ele mantém uma média de 20 a 23 rodeios narrados por ano, equilibrando perfeitamente as viagens com a beca de advogado.

Sua voz também se faz presente na solidariedade: Johny é um dos locutores oficiais do Rodeio Pela Vida, evento realizado em prol do Hospital de Amor de Barretos, participando ativamente desde a primeira edição.

Ao olhar para trás e contemplar os 30 anos de microfone e as duas décadas de advocacia, Johny Barreto resume sua trajetória em uma única palavra: gratidão.

“Sou profundamente grato a Deus e à minha família, que sempre estiveram ao meu lado. Agradeço a cada empresário, tropeiro e comissão de festa que confiou no meu trabalho ao longo dessas três décadas. E tenho um agradecimento muito especial ao Clube Os Independentes, que sempre me acolheu e permitiu que a minha voz ecoasse no templo do rodeio brasileiro.”