O locutor de rodeios Leandro Sato sempre esteve no seleto grupo de narradores que marcaram época no Brasil. Porém, Sato foi além: atravessou gerações, desde os tempos da fita de rolo, disco de vinil, MD e CD, até chegar à era do computador. Sua trajetória acompanhou todas as transformações nos estilos de narração e sonoplastia, desde Zé do Prato (in memoriam) até Almir Cambra.
Leandro carrega em seu sobrenome um misto cultural. Sua descendência é fruto da união de diferentes povos: do lado materno, avó espanhola e avô italiano; do lado paterno, avós japoneses — daí o sobrenome “Sato”.
Natural de Poloni, interior de São Paulo, Leandro passava a infância no sítio de um tio, durante as férias escolares. Lá, andava a cavalo, tirava leite, acompanhava as plantações de arroz e café e participava de outras atividades típicas da vida no campo.
“Eu ia com um amigo de infância, a pé, montar nos bezerros lá no Neylovan Tomazelli, um competidor muito conhecido. Mas os tombos dos bezerros foram me afastando da ideia de ser peão de rodeio”, relembra.
Mais tarde, ingressou no Colégio Agrícola de Monte Aprazível, onde se formou técnico agropecuário e, ao mesmo tempo, despertou o interesse pela narração:
“Eu ia para os rodeios, nas férias, também para aprender a narrar”, conta.
Em 1989, acompanhado de dois amigos, foi para Nhandeara (SP), em um Corcel II, participar de seu primeiro evento como locutor, em um rodeio amador promovido pela Cia Oscar de Rodeio:
“Lembro que comentaram que havia um locutor japonês. O Tony Carreiro, locutor já consagrado, e o Dácio Pucharelli, dono da Cia Marca Ferradura, se assustaram com a notícia, mas me aceitaram bem na narração. Foi ali que tudo começou.”
Leandro sempre buscou inspiração em grandes nomes da narração:
“Sempre me inspirei muito em narrações como as de Zé Ribeiro, Orestes Ávila, Donizete Alves, Paulinho Pena Branca e, claro, Zé do Prato e Asa Branca, minhas principais referências, principalmente pela agilidade e rapidez de pensamento que tinham naquela época.”
Naquele tempo, as companhias de rodeio eram responsáveis por fornecer tudo para o evento, inclusive os locutores:
“Agradeço muito à Cia Ferradura, que me ajudou nos primeiros passos. Não tive apoio dos meus pais no começo, mas eu já tinha isso em mente: ser locutor de rodeios.”
Em 1990, Leandro passou quatro meses com a Cia Ferradura, aprendendo a narrar montarias. Foi então que surgiu a oportunidade em Votuporanga:
“A Cia Paulo Emílio estava lá e o Paulo Emílio me convidou para narrar na sua companhia, que já era bem conhecida na época. E já iniciei em grandes rodeios e, na sequência, com o falecimento do Zé do Prato, as coisas começaram a acontecer de verdade. Fui para Colorado, Bauru e tantos outros eventos grandes. Sou muito grato aos três anos que fiquei na Cia Paulo Emílio, depois segui carreira solo.”
Na época, os rodeios contavam com 50 a 100 montarias por evento:
“Já cheguei a fazer três eventos por semana, quarenta e cinco por ano”, disse. “Sempre preferi as festas grandes, são mais desafiadoras e, de certa forma, proporcionam melhores condições de trabalho em todos os setores.”
Um dos marcos que ajudaram a divulgar o seu nome foi o CD “Bailão do Peão”, gravado com Barra Mansa (in memoriam), Mara Magalhães e Leandro Sato, que foi um grande sucesso, assim como as apresentações em bailões.
Em 1996, durante uma narração em Adamantina, o renomado Henrique Prata o convidou para narrar em Barretos:
“Fui para Barretos. Lá estavam todos os grandes locutores da época. Lembro que fiquei pensando: ‘Caramba, aqui estão todos os grandes! Olha aonde cheguei.’ Foi um momento muito especial.”
Porém, sua trajetória sofreu uma reviravolta:
“Tudo se resume ao nascimento de minha filha e a um campeonato nacional que havia me contratado para toda a temporada. Fui dispensando alguns eventos para essa exclusividade e, por fim, trocaram a direção e o patrocínio, cancelando comigo o combinado inicial.”
Diante disso, Leandro decidiu buscar novos ares e mudou-se para Itajá, no interior de Goiás:
“Ingressei no ramo da Agrodefesa. Não parei, mas optei por narrar rodeios mais regionais e ficar perto da família, ver os filhos crescerem.”
Com o surgimento dos campeonatos técnicos e a ascensão desse formato, Leandro percebeu uma lacuna:
“O estilo sertanejo, tradicional, estava em falta. E, com tantos pedidos de amigos e empresários, decidi agora voltar a estender a agenda a nível nacional.” Explica “O DJ Mamute me incentivou muito a voltar a ter uma agenda aberta e extensa, a trabalhar novamente em nível nacional. Muitas pessoas do rodeio cobram meu retorno, dizem que faço falta. Diante disso, estou voltando com a agenda em tempo integral.”
No início, a decisão gerou algumas inseguranças:
“Fiquei um pouco inseguro no começo, mas, aos poucos, as festas foram me aceitando. Por decisão minha, vou retomar para valer a partir de julho e já temos uns quinze eventos confirmados.”
Finaliza com entusiasmo:
“Estou muito empolgado e feliz por essa aceitação e espero poder retomar com o mesmo afinco e profissionalismo.”
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Leandro Sato — Instagram Oficial